A CANA QUE AQUI SE PLANTA, TUDO DÁ... ATÉ ENERGIA. ÁLCOOL, O COMBUSTÍVEL DO FUTURO
samba de enredo
Salgueiro produz alegria
"Caminha" descrevendo nossa terra
Veio da Índia inspiração para o cultivo
Que davam fim a liberdade do nativo
Terra de fartura coberta de cana
Canaã, por natureza
Negro, do açúcar mascavo
Branco toque refinado
Da cobiça holandesa
Academia, é doce seu cantar
Verde eldorado, o encanto "deste lado"
Solo fértil pro meu samba germinar
Pelo tempo, adoçou a economia
Com a evolução, ganhou outro "sabor"
O álcool, o progresso movia
Coisa que caminha nem imaginou
E mesmo sem destronar o ouro negro
Já desvendaram seus segredos
O nosso jeito de abastecer
Sonho vê-lo enfim em seu reinado
Meio ambiente preservado
Conquistando o espaço, infinito alvorecer
A cana que aqui se planta, tudo dá
Dá samba até o dia clarear
O combustível do futuro é brasileiro
É energia que hoje embala meu Salgueiro
sinopse do enredo
"(...) Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados (...) Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo..."
Pero Vaz de Caminha
1º de maio de 1500
E não é que o nosso primeiro cronista tinha razão?
Em sua carta-inventário, o nobre lusitano profetizava, logo de cara, a fertilidade da Terra Brasilis, ainda sob o impacto inicial de avistar uma terra tão rica em variedade de plantas e animais. Teriam os colonizadores encontrado a Canaã - A terra prometida - ou viria a ser o novo país a Canaã - a terra da cana?
Mais uma vez o Salgueiro desembarca na Sapucaí com as suas cores e traz seus foliões para brincar nesta grandiosa usina de alegria, destilando alto astral na festa de Momo. E aporta na avenida com uma das principais riquezas da nossa terra, em que se plantando tudo dá.
Originária da Índia, a cana-de-açúcar encontrou no solo verde-amarelo e na mão-de-obra indígena um terreno fértil para a produção de riqueza; atraiu exploradores e instituiu os fundamentos da vida colonial portuguesa no Brasil. A nobreza se regozijava na doçura do produto enquanto os negros provavam, nas lavouras, o gosto amargo da escravidão.
O olho gordo sobre o açúcar trouxe os holandeses, que, por sua vez, trataram de garantir o seu quinhão em Pernambuco. Obrigados a plantar em outra freguesia, os refinados nobres da Casa de Orange utilizaram a experiência tupiniquim nas Antilhas. Apesar disto e do protecionismo ao açúcar da beterraba européia, não havia como escapar: o Brasil já era o país do futuro. E da cana.
Tempos mais tarde, mais precisamente no início século XX, surgem as primeiras usinas de álcool no Brasil. Não é que a observação de Caminha estava sendo levada às últimas conseqüências? Quem poderia imaginar que na terra que tudo dava, daria até energia?
Na Segunda Guerra Mundial, devido à escassez do petróleo e a busca de fontes alternativas, o álcool entrou em cena para dar a partida e impulso aos veículos. Trabalho para as usinas, força para a economia. Terminada a guerra, porém, tudo voltou ao que era antes, com o petróleo recuperando com força total a coroa ameaçada de rei dos combustíveis e o nosso álcool reassumindo o posto de mero plebeu dos trópicos.
Nos anos 70, vejam só, o renegado produto novamente entraria em cena para salvar a pátria, após mais uma crise, desta vez sem precedentes. Com toda infra-estrutura em terra, clima e tecnologias, o Brasil deu a partida ao mais ambicioso programa de energia renovável, um jeitinho brasileiro de abastecer. Destilarias foram criadas anexas às decadentes usinas de açúcar. A indústria automobilística apostou na energia que nascia do chão brasileiro. Mas o que era doce se acabou. O fantasma do desabastecimento e a queda do preço do petróleo entornaram o caldo do programa. A semente, entretanto, continuaria viva e cada vez mais viável para enfrentar a estrada desse futuro tão presente.
O terceiro milênio traz consigo a esperança e a necessidade de apostar em novas fontes de energia. No vai-e-vem da economia, a guerra pelo petróleo acelera a aposta do homem em combustíveis de fontes renováveis. Foguetes alcançam o espaço impulsionados pela força do combustível verde e limpo. O futuro aplaude e o meio-ambiente agradece.
Do espanto de Caminha até a conquista espacial, passaram-se séculos de busca pela energia capaz de mover o progresso. O Brasil evolui e encontra num futuro próximo a arte de se superar, moeda forte numa civilização que luta pela preservação de suas raízes. É o país que exporta, entre tantos produtos, beleza, arte, cultura e encanta o mundo com o jeitinho brasileiro de ser. Se assim quisermos, assim será: um Brasil que renova sua energia vital celebrando nos asfaltos do mundo e até no infinito a sua grande herança divina.
Um país que não é melhor, nem pior. É apenas diferente e abençoado. Terra onde tudo o que se planta deu, dá e dará. Até energia!
Renato Lage, Márcia Lávia
e Departamento Cultural
ALEGORIAS
Abre-alas - A Usina da Alegria
2º Carro - Terra Brasilis - Canaã: a terra prometida ou a terra da cana?
3º Carro - Negros e Nobres - Do mascavo ao branco refinado
4º Carro - Quem não tem cão, caça com álcool
5º Carro - Anos 70: um jeitinho brasileiro de abastecer
6º Carro - O meio-ambiente agradece
7º Carro - O combustível verde alcança o espaço
8º Carro - O Brasil moderno - "Alcoópolis, a Metrópole do Futuro"
























