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Salgueiro 2000 - Sou Rei, Sou Salgueiro, Meu Reinado é Brasileiro






SOU REI, SOU SALGUEIRO, MEU REINADO É BRASILEIRO

samba de enredo
Senhor, olhai por nós
Iluminai este momento 
Os nossos corações
As emoções estão ao vento
Navegando o passado
Nas águas do meu pensamento
E hoje...
A história vem mostrar
A transmigração da realeza
Chegando à Bahia, trazendo luxo e riqueza
E no Rio de Janeiro, a corte veio encontrar
No carioca maneiro, um povo festeiro a comemorar

Roda baiana bonita
Vem no balanço do mar
O teu sorriso clareia meu olhar

Mudando o rumo da economia, meu Rio seria
A grande atração comercial... Gira, gira, capital
Dom João está sorrindo
Curtindo seu reinado tropical
Nova estrutura, arte e cultura
E veio a coroação
Criou-se um legado de artistas
Que ao mundo encantou
E nessa caravela futurista
Sou mais um sambista, me leva que eu vou
Vou brincar com meu amor...
Vou brincar com meu amor, eu vou que vou

Nessa viagem de alegria, Salgueiro eu sou
Parabéns, meu Brasil
Vem comigo, arrebenta bateria



sinopse do enredo

Tanto pelos pés dos sambistas, quanto pelas mãos de nossos artistas, toda história do Brasil já passou pelo Salgueiro. Neste carnaval 2000, seguiremos nossa tradição e vamos apresentar na Avenida mais um momento importante da vida brasileira, cumprindo a missão de levar cultura e entretenimento aos súditos da realeza brasileira. 
Nosso enredo vai mostrar o início do amadurecimento do Brasil, quando passou de Colônia a Reino Unido. Curiosamente, partiu da França a influência que favoreceu essa transformação: primeiro pela força com Napoleão praticamente expulsando a corte de Portugal; e depois pela arte, com legado documental da Artística Missão. 
Não compete a nós, salgueirenses, julgar a figura marcante de D.João. Seria ele um estadista empreendedor, amante da cultura e da ciência, ou um soberando bufão, indeciso, que saiu corrido de seu país? Temos de retratar a história desse monarca com alegria carnavalesca, deixando que o público folião faça seu próprio julgamento. 
Com a força do vermelho-e-branco , decretamos a abertura dos portos da alegria para a chegada da corte de Momo , elevando e aclamando o Salgueiro como mentor das mais importantes missões artísticas : a perpetuação do carnaval!!! Embarque conosco nessa caravela para o futuro!!!!!

Mauro Quintaes - Carnavalesco 

PARTE I - TRANSMIGRAÇÃO DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL 
O Imperador Napoleão dominava com seus exércitos o continente europeu. Praticamente o único país capaz de resistir a supremacia francesa era a Inglaterra, dona de uma poderosa marinha. Percebendo que não podia dominar o adversário pela força militar, Napoleão decide subjulgá-lo pela força econômica. Decretou, em 1806, o Bloqueio Continental, determinando que todos os países docontinente europeu sob seu domínio fechassem seus portos ao comércio inglês. Nessa época, Portugal era governado pelo Príncipe Regente D. João, pois sua mãe, a Rainha D.Maria I, havia enlouquecido. A situação política de Portugal perante a França e a Inglaterra era extremamente delicada. Tentava o príncipe Regente manter uma posição de neutralidade diante do conflito. Não podia obedecer imediatamente as ordens francesas temendo - diante do poder naval inglês - perder suas colônias principalmente o Brasil. Em 1807, Napoleão assina com a Espanha o contrato de Fontainebleau que dividia a nação portuguesa entre os dois aliados, e determina a invasão de Portugal. 
Não dispondo de condições militares para deter o avanço das tropas francesas, D. João resolveu partir para o Brasil, transferindo a sede do Reino Português a atitude de D. João contava com a ajuda e o incentivo do governo inglês. Sob chuvas torrenciais o embarque da família real de Bragança e comitiva, composta por 15.000 pessoas, ocorre no dia 29 de Novembro de 1807. Num dos seus acessos mais acentuados de loucura, D. Maria I gritava desesperadamente, protestando contra a partida. Houve lama, choros e vaias, a medida que os passageiros entravam nos navios. Os que retiravam levavam todas as riquezas transportáveis, dando impressão de uma simples fuga precipitada. 
Terá sido mesmo uma fuga desesperada? A quem defenda a tese de que a idéia de que a transmigração da corte para o Brasil já era aventada nos séculos anteriores, para o caso de uma defrontação de Portugal com alguma potência de forças maiores que a sua. Transferindo a corte, D. João salvaria a Monarquia, com todas as suas colônias ultramarinas. Após 55 longos dias, de tormentosa viagem, a Corte e comitiva desembarcava na Bahia, encontrando o povo em festa para recebê-los. 
A realeza se surpreende com as manifestações de carinho dos súditos de terras tão distantes, pela primeira vez, entra em contato com ..... A ALEGRIA DO POVO BRASILEIRO!!!!!!!! 

PARTE II - A ABERTURA DOS PORTOS AS NAÇÕES AMIGAS 
Logo ao chegar, durante sua breve estada na Bahia, D.João Decretou a Abertura dos Portos do Brasil as Nações amigas em 28 de Janeiro de 1808. A abertura dos portos favoreceu aos proprietários rurais. Produtores de bens destinados a exportações (Açúcar e algodão principalmente), os quais se livraram do monópolio comercial da metrópole. Daí pra frente seria possível vender a quem quer que fosse sem restrições impostas pelo sistema colonial. O Rio de Janeiro se tornou porto de entrada dos produtos manufaturados ingleses, com destino não só ao Brasil como ao Rio da Prata e a costa do Pacífico. A Inglaterra tratou de tirar o máximo de proveito econômico da proteção que oferecia a Portugal, sendo a maior beneficiada com esse ato do Príncipe Regente pois iria abastecer o novo mercado com seus produtos industrializados e consumir produtos tropicais brasileiros. A escalada inglesa pelo controle colonial brasileiro, culminou no Tratado de Comércio e Navegação em 1810, com a Coroa Portuguesa se comprometendo a oferecer benefícios tarifários aos produtos ingleses. Mesmo sabendo que naquele momento a expressão "Nações Amigas" era equivalente a Inglaterra, o Ato 
punha fim a 300 anos de dominação colonial mudando radicalmente ..... A VIDA ECONÔMICA BRASILEIRA. 

PARTE III - A CORTE NO RIO DE JANEIRO 
A família Real foi recebida no Rio de Janeiro com indiscutível entusiasmo! A cidade engalanada e como em convulsões, parecia "uma só alma e delírio "(Rocha Pombo). As festas duraram 9 dias e todas as noites tiveram mesmo brilhantismo. A alegria era geral! E ainda por algum tempo depois pode-se dizer que a cidade continuou em festas pois de todas as capitanias, até dos pontos mais afastados do interior, vieram não só governadores ou seus representantes, bispos ou seus enviados, como outras autoridades, todos a felicitar o príncipe e a rainha. Não houve trégua no trabalho das escravas costureiras, vinham encomenda de todos os cantos, e as compras de fitas, rendas, chamalotes, veludos, damascos, jóias, galões e outros artigos não tinham limites. As meias de seda , os sapatos rasos de fivela de ouro e prata, as cabeleiras, os coletes de cetim bordados e os chapéus armados, tudo subia de preço. O comércio português já punha a prova sua esperteza e tino comercial. "Foi um rega-bofe completo que durou 9 dias sucessivos" (Gostão Gruls). 
A corte era acompanhada de toda espécie de gente palaciana: mordomos e fiéis; camareiros e estribeiros; damas de honra e guarda jóias; guarda roupa e gente-homens, além de personalidades notáveis da nobreza, do clero, confessores, ministros, cirurgiões e funcionários. As diferenças de vestuários de maneiras e modos de vida entre os lisboetas e as boas famílias do Rio, também provocaram certas estranhezas e até alguns atritos. Tudo isso, contudo, era compensado por um sentimento de maior segurança e liberdade, propiciado especialmente pela presença do Princípe Regente que representava uma garantia contra o abuso dos Vice-Reis e alto funcionários. Um novo interesse pela moda se manifestou na população da cidade. 

PARTE IV - A ELEVAÇÃO DO BRASIL A CATEGORIA DE REINO UNIDO E ACLAMAÇÃO DE D.JOÃO 
Após a explusão dos franceses de Portugal em 1814, e portanto não se justificando a permanência do Príncipe Regente no Brasil, quiseram os portugueses tradicionalistas que retornasse a corte a Portugal. D. João, contudo, tratava o assunto com indiferença. Em 16 de Dezembro de 1815, o Príncipe Regente assinou uma carta lei elevando o Brasil à Reino Unido a Portugal e Algarve de maneira a formarem um só corpo político. A medida legitimava a permanência de D.João no Brasil e era apoiada pelos participantes do Congresso de Viena - Reunião dos países que derrotaram Napoleão. 
Ao transformar o Rio de Janeiro em sede do Império português, D. João reorganizou toda a administração criando ministérios, fundando o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Academia Militar da Marinha, o Teatro São João, a fábrica de pólvora, o Jardim Botânico, a Biblioteca Real, e outras escolas e academias voltadas para educação e cultura. Essas medidas, porém, não beneficiavam a "massa dos segregados" - escravos, negros e mestiços pobres que representavam mais de 75% da população do país; e sim as elites. 
Após a morte de D. Maria I, em 1816, passou o Príncipe Regente a usar o título de D. João VI, e foi aclamado Rei em 06 de fevereiro de 1818. Para os brasileiros que presenciaram esses acontecimentos, o Brasil estava caminhando com passos largos para o processo de emancipação pois a estada da corte portuguesa no Rio de Janeiro , ratificava a postura político-social de igualdade com Portugal. A coroação do Imperador ocorreu no Teatro São João, com honras de Monarca europeu. Toda a corte e vários convidados vieram participar de um dos .... MAIS GRANDIOSOS E LUXUOSOS EVENTOS REALIZADOS NO PAÍS. 
A cidade era relativamente pequena, não se tendo tomado com antecedência as medidas necessárias para o alojamento de milhares de acompanhantes do príncipe. Requisitaram-se inúmeras casas o que causou transtorno indisfarçável revolta da população carioca. Entre outras coisas, diz-se que as autoridades marcavam as casas requisitadas com as iniciais PR (Princípe Regente), que o povo interpretava como PONHA-SE NA RUA ou PRÉDIO ROUBADO. 

PARTE V - A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA 
Por sugestão de Antônio de Araújo Azevedo, o Conde da Barca, D. João VI decide criar uma escola de ciências, artes e ofícios na sede da corte, com o objetivo de promover e difundir a instrução através de um corpo docente categorizado "importado do exterior". Coube ao embaixador português em Paris, o Marquês de Marialva, a organização da Missão Artística junto ao governo da França. A comitiva contava com artistas de renome ,artifícies, serralheiros, mestre-ferreiro, gravadores, carpinteiros, curtidores. Chefiada pelo literata e crítico de arte Joachim Lebreton, a grandiosa Missão era formada pelo pintor histórico Jean Baptiste Debret; o pintor de paisagem Nicolas Antoine Taunay; o arquiteto Auguste Herni Victor Grandjean de Montigny, o escultor Auguste Marie Taunay, o gravador Charles Simon Pradier, o engenheiro mecânico François Ovide e o único suíço da equipe, o compositor e organista Sigmund Neukformm. 
Debret foi o membro do grupo que melhor captou a vida brasileira. Na sua "VIAGEM PITORESCA E HISTÓRICA ATRAVÉS DO BRASIL" ele retrata além dos eventos palacianos, os costumes do povo, cenas cotidianas com brancos, negros, índios, o movimento das ruas, do comércio, a fauna e flora. Apesar de sofrer resistências tanto artísticas quanto políticas, a Missão Francesa, marcou a ruptura sob a influência de uma concepção nova da arte de tradição colonial de origem portuguesa, e o conflito entre a arte de expressão litúrgica e o laicismo francês (Fernando Azevedo). 
O Brasil até hoje agradece aos artistas dessa Missão..... O PRIMOROSO LEGADO ARTÍSTICO E DOCUMENTAL. 

PARTE VI - CARAVELA PARA O FUTURO 
Ao chegar ao final do enredo, o Salgueiro, orgulhoso, conclama todapopulação para embarcar numa CARAVELA PARA O FUTURO, com o objetivo de perpetuar no próximo milênio, esse momento mágico que é o carnaval carioca, a maior festa popular do mundo, originária do entrudo curiosamente mais uma contribuição portuguesa a cultural brasileira, fundindo o novo e o velho, convidamos reis, rainhas, aristocracia e povo, pretos, brancos e índios, artistas e sambistas para o embarque, cabendo ao Salgueiro - de braços dados com as escolas co-irmãs - a responsabilidade de conduzir A NAVE DA ALEGRIA E ESPERANÇA nas comemorações dos 500 ANOS DO BRASIL rumo ao 3º MILÊNIO. 

PARABÉNS, BRASIL, 
PARABÉNS SALGUEIRO, 
PARABÉNS A TODO POVO BRASILEIRO !!!