Esperanças e desafios, até hoje trazem para a cidade grande, o valente homem do Norte e do Nordeste brasileiro. São jovens que, atraídos e guiados pelo sonho de um Eldorado, se lançam na aventura da busca de um lugar ao sol.
Recordando a famosa canção: "Peguei um Ita no Norte", de autoria de Dorival Caymi, encontramos a forma poética e mágica de percorrer os diversos Brasis que, durante décadas, foram rotineiramente visitados pela navegação costeira daqueles navios transportadores de sonhos.
Não pretendemos com isso realizar uma reconstituição da época dos anos 30 e 40, em que foi composta a canção. Antes pretendemos ressaltar, uma visão carnavalesca, a magia da esperança e do arrojo do migrantes aventureiro que superava a distância e as dificuldades para conhecer e conquistar outras terras; seu fascínio e encantamento pela descoberta de novas paisagens, sua emoção ao descobrir a diversidade cultural de nosso povo; sua vontade de vencer na vida, superando suas saudades da terra natal.
Lembrando que, durante década, pela deficiência da malha rodoviária e de um sistema de viação aérea, cabia à Companhia de Navegação Costeira, a tarefa de operar de forma quase exclusiva a cabotagem e o transporte de passageiros entre aqueles pontos extremos do País. Para tanto, eram utilizados navios à vapor, cujas denominação se iniciavam sempre por ITA -, que significa PEDRA em Tuoi-guarani. Daí Itaboré, Itaporan, etc.
Os ITAS, saíam do Porto de Belém do Pará, contornavam todo o litoral brasileiro até o Rio de Janeiro, oferecendo aos olhos dos viajantes a visão diversificada e própria de cada porto que atracavam.
Mostraremos em nosso desfile na Marquês de Sapucaí, a reação de um desses migrantes, a partir do embarque no Porto de Belém, sua terra natal. Suas lembranças do Círio de Nazaré, o Mercado do Ver-o-peso, seu porto e sua gente, seu primeiro contado com o mar aberto e a excitação diante das novas imagens emanadas da atração em terras novas, de hábitos e culturas diversas.
Seu espanto com o mar e seus seres fantástico, gaivotas e peixes.
A cidade de São Luiz do Maranhão, seus ricos azulejos e tradicionais lampiões, sua alegria pelo festejo maior: O Bumba-meu-boi.
Fortaleza, sua janelas e rendeiras, sua levas de romeiros em peregrinação ao Padre Cícero.
Natal do Rio Grande do Norte e seu símbolo , o Galo de Barcelos, suas estrelas e salinas.
Recife, seu frevo e maracatu; as visitas à Grande Feira de Caruaru.
Maceió, seus pastoris, reisados e suas vastas plantações de cana-de-açúcar.
Passadando por Aracajú e seu povo, suas vaquejadas, seus cangaceiros e coqueiros.
E em Salvador da Bahia, suas comidas e cadomblé, seus tocadores de berimbau.
Nosso viajante prossegue em sua fantástica viagem aportando finalmente no Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa onde, anos depois, já totalmente integrado ao novo cotidiano, vamos revê-lo aqui , na Marquês de Sapucaí, sendo ao nosso lado, assistindo emocionado o nosso querido Salgueiro, desfilar!.
JUSTIFICATIVA DO ENREDO
O enredo escolhido pelo G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro para o carnaval 1993, "Peguei um Ita no Norte", tem por objetivo prestar uma homenagem ao valente migrante nortista/nordestino, que veio contribuir, com sua vontade e perseverança para o desenvolvimento e progresso das outras regiões brasileiras.
Mostra, através de sua viagem, um mosaico de folclores, tradições e costumes de partes de nosso país, procurando manter sempre vivas as diversas manifestações culturais que fazem a história de um povo.
Mário Borriello
O Enredo encontra-se dividido em 3 partes:
1 - A Partida
2 - Os Brasis
3 - A Integração
Primeira Parte
Na primeira parte conta-se a emoção da despedida do migrante, de sua terra natal.
Segunda Parte
Descreve diversas formas de hábitos e culturas de parte de nosso país.
Terceira Parte
Mostra o nosso migrante já totalmente adaptado à novo vida.