QUILOMBO DOS PALMARES
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| Imagem: http://www.ingressocarnaval.com.br/2013/10/escola-de-samba-salgueiro/ |
Resultado
Campeã do Supercampeonato (AESB e CBES) com 95 pontos
Data, Local e Ordem de Desfile
1ª Escola de 28/02/60, Domingo
Av. Rio Branco
Autor(es) do Enredo
Fernando Pamplona
Carnavalesco(s)
Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Newton de Sá
Presidente
Manoel Carpinteiro
Diretor de Carnaval
Nelson de Andrade
Diretor de Harmonia
Joaquim Casemiro (Calça Larga)
1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Eni e Ananias
Bateria
250 Componentes sob o comando de Mestre Tião da Alda
Contigente
1200 Componentes em 26 Alas
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Samba Enredo
Autor(es)
Noel Rosa de Oliveira, Anescar e Walter Moreira
Puxador(es)
Noel Rosa de Oliveira
No tempo em que o Brasil ainda era
Um simples país colonial,
Pernambuco foi palco da história
Que apresentamos neste carnaval.
Com a invasão dos holandeses
Os escravos fugiram da opressão
E do julgo dos portugueses.
Esses revoltosos
Ansiosos pela liberdade
Nos arraiais dos Palmares
Buscavam a tranqüilidade.
Ô-ô-ô-ô-ô-ô
Ô-ô, ô-ô, ô-ô.
Surgiu nessa história um protetor.
Zumbi, o divino imperador,
Resistiu com seus guerreiros em sua tróia,
Muitos anos, ao furor dos opressores,
Ao qual os negros refugiados
Rendiam respeito e louvor.
Quarenta e oito anos depois
De luta e glória,
Terminou o conflito dos Palmares,
E lá no alto da serra,
Contemplando a sua terra,
Viu em chamas a sua tróia,
E num lance impressionante
Zumbi no seu orgulho se precipitou
Lá do alto da Serra do Gigante.
Meu maracatu
É da coroa imperial.
É de Pernambuco,
Ele é da casa real.
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| Imagem: http://www.brasil247.com/pt/247/favela247/131475/A-cultura-negra-no-samba-do-Rio-de-Janeiro.htm |
sinopse do enredo
Com o domínio da invasão holandesa, em Pernambuco, a fuga dos negros escravos, era facilitada pelos invasores, a fim de desfalcar os portugueses na defesa do solo pernambucano.
Foi então que nas margens do Rio São Francisco, no sertão de Santo Agostinho, que os fugitivos construíram suas palhoças (Quilombo) e ali se ocultavam. Protegidos pela fecundidade de uma terra generosa, se originou mais um Quilombo onde os negros encontravam o asilo para suas desditas.
Dir-se-ia que paralelamente a civilização européia, outra se erguia disposta a lutar pelo direito do ser livre.
Acossados pelos mal tratos e pelo desejo de se livrarem do jogo dos brancos, apareciam nos arraiais de Palmares, inúmeros escravos foragidos das vilas próximas. Obedeciam esses perfeitos guerreiros a um chefe a quem chamavam de ZAMBI (Zumbi), seu imperador negro, tratado como divindade, o qual mantinha as milhares de almas do seu reino, inteiramente obedientes e unidos, em torno da sua autoridade e incutindo-lhes a necessidade de ser mantido o desassossego, pois, que o pânico entre os brancos, era para eles uma das armas mais apreciadas.
Batidos aqui, triunfantes ali, derrotados acolá, vitoriosos adiante, as hordas negras fortaleciam-se e aumentavam com o correr dos tempos.
Valentes, destemidos, a tudo dispostos, os africanos dos Palmares resistiram a 25 expedições armadas dos governos de Pernambuco e Alagoas.
O gigantesco e poderoso quilombo de Zumbi o guerreiro terrível, que nos entreatos de suas lutas ia buscar no coração da companheira, uma negra de Angola, a seiva alimentadora do seu procedimento, no centro dos horríveis acontecimentos , a figura de ZUMBI era a encarnação da bravura e da audácia. Naquele inferno era assim que se lutava: UMA VIDA PARA SALVAR DUAS VIDAS.
Após 48 anos de lutas, e, dominados pelas forças e sem nenhuma esperança de vencer, ZUMBI ordena que os que pudessem fugir especialmente as mulheres e crianças que o fizessem. Foi nessa hora crucial para os Palmares, que ZUMBI, seguido de alguns bravos, refugiou-se no topo de um penhasco da Serra do Gigante. Lá de cima ele pode contemplar num misto de desolação e orgulho a sua TRÓIA em chamas.Dessa contemplação, arranca-o a aproximação de um grupo de soldados que tenta captura-lo vivo.
O rei vencido na sua força, mas não no seu orgulho, meditando bem, entre o cair nas mãos do adversário, num lance de impressionante beleza, precipita-se no espaço e arrebenta-se de encontro com asa rochas e árvores que guarnecem o fundo do vale.
E assim terminou uma guerra de 48 anos seguidos, sem ter um mês de trégua.
Coube ao governador MELO DE CASTRO organizar um exército de 8.000 homens, e, entregar o mesmo as seguintes pessoas: Capitão-mor Vieira der Melo, Sargento-mor Sebastião Dias e Domingos Velho.
"Lá está o ZUMBI , mãe. Lá o negro é livre outra vez"
"Um dia estaremos com o ZUMBI na serra dos negros livres"
"Eu sou Bambuza, negro vindo de Angola"
"Só os covardes e mentirosos não amam a luz do sol"
"A liberdade é um bem precioso demais para ser desperdiçado entre os que não a merecem"
"Não nos podem vencer. Nós somos a liberdade e a liberdade não morre"
"É meu dever mostrar ainda uma vez o caminho, porque há sempre um caminho para a liberdade"
Bem escassas são as notas autênticas sobre Palmares, todavia, o pouco que se consegue é suficiente para compreendermos o sentido histórico e humano daquele acontecimento na formação social do país.
O espetáculo dos Palmares foi uma advertência singularmente viva na paisagem da civilização brasileira.
A revolta de uma raça oprimida contra uma sociedade opressora.

