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Salgueiro 2003 - Salgueiro, Minha Paixão, Minha Raiz - 50 Anos de Glórias





SALGUEIRO, MINHA PAIXÃO, MINHA RAIZ - 50 ANOS DE GLÓRIA

samba de enredo

Orgulho é viajar em sua história
No ar, o aroma de café
"Tecer" 50 anos, quanta glória
Desta raiz, nasceu samba "no pé"
"Morro" de amores e saudades...
"Embriaga" de felicidade,
"Conserva" o valor e a tradição
De unir fé e bandeiras numa só "religião"

Salgueiro, vermelho
Balança o coração da gente
Guerreiro, é de bambas um celeiro
Apenas uma escola diferente

Porto pro Navio Negreiro
Viajou com Debret pelo Brasil
Quilombo, exaltou o orgulho negro
Xica da Silva já te seduziu
História em carnaval, bênção da Bahia
Rei Negro e Rei da França
Coroaram a academia,
Da magia fascinante à brilhante sedução
Das minas do Rei Salomão

Explode coração, é tanta emoção
Que embarcar na alegria, eu vou
É a consagração da minha paixão
Renovando a cada dia, amor


sinopse do enredo

JUSTIFICATIVA DO ENREDO

Cinquenta anos de existência! Nada mais justo do que o Salgueiro mergulhar fundo em sua essência para fazer uma retrospectiva de seus 50 anos de pleno samba, contando e cantando sua história na avenida.

Tudo começou no morro do Salgueiro, encravado no bairro da Tijuca, abrigo de tantos que migraram para o Rio de Janeiro, fundindo seus costumes e tradições com a natureza sambista e festiva do lugar. Morro com suas tendinhas recheadas com muito mocotó, cozido, peixada, feijoada; local onde se discutia sobre samba e futebol, tudo isso regado com muita cerveja e cachaça. Morro em que nasceu uma verdadeira Academia do Samba, nem melhor, nem pior, apenas diferente.

Ao longo das transformações que o carnaval vem sofrendo, o Salgueiro foi pioneiro e grande responsável pela revolução do conceito dos desfiles das escolas de samba. Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta, introduziram enredos criativos e inéditos, trazendo sempre o inesperado para o público. Através de seus carnavais abriram-se as "comportas da criatividade" e conquistou-se uma nova postura diante dos desfiles, transformando-os em espetáculos grandiosos e luxuosos como os que vemos hoje em dia.

E é através de sua trajetória, de seus enredos memoráveis, que o Salgueiro quer homenagear a todos que participaram dessa agremiação, a todos que de algum modo contribuíram, da maneira mais humilde a mais generosa para cada desfile.

Aos famosos ou anônimos que passaram na avenida defendendo o vermelho e branco da escola. Às crianças, aos jovens, aos Aprendizes do Salgueiro que continuarão a trajetória da escola por outros cinqüentenários.

Enfim, Salgueiro em si; pedra bruta lapidada em brilhante reluzente, reduto de sambistas brilhantes, espalha teu samba, tua alegria, tua luz a todos os que de ti se aproximarem, fazendo com que reluza também em seus corações, tua história, teu brilho e tua glória.


SINOPSE DO ENREDO

- UM MORRO GANHA VIDA...

Princípio do século XX no Rio de Janeiro. Das lavouras de café à fábrica de chitas, aos poucos um morro no bairro da Tijuca vai se transformando em lugar de moradia para migrantes e escravos. Muitos se diziam seus donos e o morro era, ainda, um morro sem nome, o que perdurou até a chegada de um português chamado Domingos Alves Salgueiro. Comerciante e dono de uma fábrica de conservas na Tijuca, Domingos era também proprietário de 30 barracos no local. Seu nome então virou referência e designação do morro, que passou a ser conhecido como morro do Salgueiro e começou a ser procurado por várias famílias vindas de Minas Gerais, interior do Estado do Rio de Janeiro, Sul da Bahia e Nordeste. São essas pessoas que começam a dar vida ao morro, construindo as primeiras casas, os primeiros barracos e transformando a pedra bruta e inanimada em lugar de moradia.

De suma importância para o dia-a-dia do morro foram as famosas tendinhas; algumas ganharam fama, como a de seu Neca da Baiana, de Ana Bororó, de Casemiro Calça Larga ou de Anacleto Português, entre outras. Pontos de encontro dos moradores e locais de discussões sobre política, futebol e samba onde, entre um gole e outro de cachaça, surgiram incontáveis parcerias musicais.

Novas culturas, hábitos e costumes trazidos pelos migrantes de outros estados foram sendo incorporados no cotidiano dos habitantes do morro. E em meio a essas manifestações folclóricas, o Caxambu, dança vinda do interior de Minas Gerais e do Estado do Rio de Janeiro, se destacou tornando-se a principal manifestação folclórica absorvida pelos salgueirenses. O morro do Salgueiro ia ganhando, pouco a pouco, uma vida social, apreciada nos Grêmios Recreativos: Cultivista Dominó e Sport Club Azul e Branco e também no Cabaré do Calça Larga com seus bailes dançantes com música ao vivo.

A diversidade religiosa também se manifestou no Salgueiro. Na subida do morro, o Cruzeiro passou a ser um local para agradecimentos; velas acesas para as almas benditas, flores e ex-votos de promessas a pagar, os terreiros de umbanda e candomblé e as benzedeiras com suas garrafadas curadoras, banhos de limpeza e rezas localizadas. - Eta Salgueiro!, morro de dois padroeiros, São Sebastião e Xangô, senhor das pedreiras, estende teu vermelho e branco e pede passagem …


- E, DE SAMBA EM SAMBA, NASCE A ACADEMIA

"Vamos embalançar a roseira,
Dar um susto na Portela, no Império, na Mangueira.
Se houver opinião,
O Salgueiro apresenta uma só união,
(...) Na roda de gente bamba,
Frequentadores do samba
Vão conhecer o Salgueiro
Como primeiro em melodia.
A cidade exclamará em voz alta:
- Chegou, chegou a Academia!"

E foi assim que, num sábado, Geraldo Babão desceu o morro cantando a união das três escolas: a Unidos do Salgueiro, de cores azul e rosa, A Azul e Branco e a Auviverde Depois Eu Digo, que tiveram como figuras principais, Antenor Gargalhada, o português Eduardo Teixeira e o italiano Paolino Santoro, o "Italianinho do Salgueiro". A ala de baianas abrigava personagens como as jovens Maria Romana, Neném do Buzunga, Zezé e Doninha. Nas três escolas iam surgindo sambistas talentosos como Pedro Ceciliano, o Peru, Paulino de Oliveira, Mané Macaco, Geraldo Babão, Guará, Iracy Serra, Noel Rosa de Oliveira, Duduca, Geraldo, Abelardo, Bala, Anescarzinho e Djalma Sabiá, que com suas canções inspiradoras fizeram com que o Salgueiro passasse a ser respeitado por todas as demais escolas de samba.

Líder no morro e bem articulado politicamente, Joaquim Casemiro, mais conhecido como Calça Larga, organizava rodas de samba, passeios, piqueniques em Paquetá e tudo o que fosse possível para unir a comunidade do morro.

E foi nesse clima de união os componentes e baterias das três escolas juntaram-se, somando as cores das bandeiras, fundando em 5 de março de 1953 o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, com as cores vermelho e branco, combinação de cores que já era quebra de tabu, uma vez que, naquela época, todos achavam que "crioulo com roupa vermelha parecia demônio".

Inovando sempre, o Salgueiro mudou o carnaval carioca apresentando enredos que fugiam aos temas patrióticos impostos pelo Estado Novo. Navio Negreiro, sobre a viagem de escravos para o Brasil, de 1957 e Viagem Pitoresca e Histórica pelo Brasil, sobre a missão do pintor francês Debret no Brasil, de 1959, são exemplos da ousadia salgueirense. O ano de 1959 ficou marcado também pela entrada de artistas plásticos convidados por Nelson de Andrade para que criassem e desenvolvessem enredos para a escola. Foi quando o pernambucano Dirceu Nery e a suíça Marie Louise criaram um belo desfile que surpreendeu a todos, em especial a um dos jurados: Fernando Pamplona, aluno da Escola de Belas Artes.


- O SALGUEIRO CANTA A LIBERDADE

Convidado para produzir o carnaval de 1960, ao lado de Arlindo Rodrigues, Pamplona propôs o enredo Quilombo dos Palmares, em homenagem a Zumbi dos Palmares, líder negro e figura à margem da história do País. Seguindo uma temática de exaltação ao negro, com um belo samba, a precisão da bateria e as imagens da África e dos Quilombos expostas na avenida, o Salgueiro encantou a todos. Apontado como favorito conquistou o seu primeiro título e não restavam mais dúvidas de que uma nova estética havia sido criada nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.


- ANOS DOURADOS PARA O SALGUEIRO

Os anos 60 são um marco na história do Salgueiro. Foi nesse período que a escola conquistou três campeonatos, apresentou enredos e sambas memoráveis contribuindo definitivamente para a mudança dos desfiles das escolas de samba.

O desfile de 1963 sintetiza essa década, quando o Salgueiro apresentou um novo personagem à margem da história oficial - Xica da Silva, uma escrava que viveu em Minas Gerais. Interpretando Xica, o Salgueiro introduziu uma personalidade no carnaval carioca: Isabel Valença.

Uma nova vitória foi conquistada em 1965, com o enredo História do Carnaval Carioca - Eneida, escolhido por Fernando Pamplona para o desfile em comemoração do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro.


- TEM QUE TIRAR DA CABEÇA O QUE NÃO SE PODE TIRAR DO BOLSO...

Após alguns maus resultados, em razão de crises políticas e financeiras e ao contrário daquilo que todos imaginavam, o Salgueiro escolheu Bahia de Todos Os Deuses como enredo para 1969. Cantando um samba inesquecível mais uma vez a escola voltou a ser consagrada como a melhor escola de samba do Rio de Janeiro.

(...Na ladeira tem, tem capoeira,
zum zum zum zum zum zum,
capoeira mata um...)

Com a mesma força dos anos anteriores, a década de 70 continuou a ser próspera para o Salgueiro. Seguindo a temática negra, a escola leva para a avenida Festa Para Um Rei Negro, em 1971. Nascido de um trabalho de mestrado de Maria Augusta Rodrigues, o enredo baseava-se numa visita de príncipes africanos a Maurício de Nassau em Pernambuco. A equipe responsável pelo visual era mais uma vez comandada pela dupla Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues que contaram com a ajuda de Rosa Magalhães, Joãosinho Trinta e Maria Augusta.

O Salgueiro continuava fiel a sua filosofia e fazia de seu desfile um espetáculo aberto e livre de preconceitos.


- O SALGUEIRO DESFILA O SONHO E O LUXO

Joãosinho Trinta assume a frente da escola como carnavalesco, o enredo escolhido para 1974 foi O Rei de França na Ilha da Assombração, um tema que trouxe o imaginário para a avenida, o que contribuiu para modificar definitivamente a tônica dos enredos das escolas de samba.

Já no enredo As Minas do Rei Salomão, de 1975, Joãosinho Trinta viaja mais ainda. Ele e Maria Augusta cogitavam sobre a presumível estada de embarcações fenícias no norte brasileiro. Fundamentado no livro, "A Pré-história no Brasil", que relata a possibilidade de expedições fenícias em busca de madeira brasileira terem aportado na região do Amazonas, patrocinadas pelo Rei Salomão, o enredo seguiu seu curso e quando foi divulgado, muitos o acusaram de infligir o regulamento que não permitia enredos com temas estrangeiros, mas a escola seguiu em frente com sua ideologia que sempre se voltou para histórias à margem de nossa história. E na abertura dos envelopes o Salgueiro conquista o seu primeiro bicampeonato.

A cada ano que passava, o Salgueiro mostrava que estava vivo e que a década de 90 prometia boas surpresas para os salgueirenses...

Essa expectativa foi confirmada em 1993, com Peguei Um Ita no Norte, sobre a viagem do navio Ita de Belém até o Rio de Janeiro.

O Salgueiro entrou na avenida "possuído" e fez um desfile mágico em que o resultado não poderia ser outro a não ser a conquista do título. Mais uma vez, o Salgueiro contagia, sacudindo essa cidade!


- E O BARCO NÃO VAI PARAR... 

Quantas viagens nesses 50 anos, quantos carnavais, cinqüenta anos de história e de festas em vermelho e branco.

O Salgueiro homenageia todos aqueles, homens e mulheres, verdadeiros guerreiros que ergueram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Foram muitos os que deram o sangue para construir essa história. E foram eles que abriram caminho para uma nova geração de crianças e jovens, os Aprendizes do Salgueiro que irão prosseguir com essa viagem tão apaixonante, segurando firme o timão, rumo a um futuro brilhante que não será, nem melhor, nem pior, apenas diferente.

A justificativa e a sinopse do enredo "Salgueiro Minha Paixão, Minha Raiz, 50 Anos de Glória" foram compilados de textos gentilmente cedidos pela Diretoria Cultural do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro.

Tornamos deles, nossas palavras.
Nosso muito obrigado,

Renato Lage e Márcia Lávia