Salgueiro 1999 - Salgueiro é Sol e Sal nos Quatrocentos Anos de Natal





SALGUEIRO É SOL E SAL NOS QUATROCENTOS ANOS DE NATAL

samba de enredo

O rei sol a brilhar 
Clareia meu amor, clareia 
Encantou meu olhar 
Vagando neste manto de areia 
Com a colonização 
Deu-se a expansão 
Que maravilha!!! 
Seu forte é o marco desta terra 
Tem o sal que lhe tempera 
O ar é pura sedução 

Tem jangadas no mar
Mareia meu amor, mareia
Eu vou deitar e rolar
Gostoso e deslizar na areia

Oh! Natal 
Meu Deus do Céu, eu nunca vi tanta beleza 
Obra da mãe natureza 
Cartão postal do meu Brasil 
Do turista que se encanta a delirar 
Nesta festa popular 
Salgueiro é o sol que irradia 
Neste dia de folia 
E faz aqui seu "Carnatal" 

É sol, é sal, é paixão, amor...
Natal é pura emoção, vem brindar...
Bate na palma da mão, a festa vai começar
São quatro séculos de história, pra contar


sinopse do enredo

Emoções de uma Viagem à Cidade do Sol
Ainda mesmo sobrevoando a cidade do Natal já me desperta um sentimento de curiosidade e ao mesmo tempo de euforia. Lembro-me de quando estive aqui, anos atrás, e quanto esta cidade cresceu e se modernizou de lá para cá.
Já naquela época interessou-me a historia da região e consegui um exemplar de AHistória do Rio Grande do Norte. Visitei os sítios históricos da cidade e das redondezas, como se estivesse num filme em que o roteiro e os diálogos eram de Luís da Câmara Cascudo, trazendo informação e dramaticidade ao cenário que se descortinava ao meu redor.Comecei bem do começo. Da margem esquerda do Rio Potengi, de onde se vê o porto, a Ribeira e a Fortaleza dos Reis Magos. No relato do grande historiador, transportei-me àquele tempo.
Na minha frente, imaginei o dia-a-dia dos índios potiguares já se acostumando com as visitas cada vez mais freqüentes dos navegadores franceses. Estes, aproveitando-se do porto seguro que o estuário do rio Potengi proporcionava aos seus navios, aqui abasteciam-se de água, frutas e outros víveres e saíam a piratear as naus portuguesas e a costa nordestina. 
Atento à beleza da fortaleza, à sua forma estelar por cima dos arrecifes que se escondem na maré cheia, pus-me a considerar que luta terrível e que dificuldade os portugueses enfrentaram para conquistar este pedaço do Brasil, tomando-o dos piratas e reatando a amizade com os índios nativos.
Iniciada a construção da fortaleza dos Reis Magos, em 6 de janeiro de 1598, logo os franceses foram expulsos e a cidade do Natal pôde afinal ser fundada, na paz do natal de 1599, exatamente no dia 25 de dezembro. A partir daí, sua história seguiu tranqüila, até que essa paz foi sacudida pelas naus holandesas, que permaneceram na cidade até 1654. Nesse ano, depois de incendiarem todos os documentos e locais importantes da cidade, os holandeses foram expulsos pelas tropas portuguesas, já bem mescladas por contingentes de brasileiros oriundos da Paraíba e de Pernambuco.
A fortaleza mantém-se até hoje intacta e abriga em seu interior o primeiro marco de posse da terra do Brasil em nome da coroa portuguesa: é o Marco de Touros, que data de 1501, registrado por Américo Vespúcio.
Penso na força de seus canhões e nos seus soldados em plena batalha. Sei que nada aconteceu com facilidade em Natal, que já nasceu cidade por decreto do rei Felipe II, num verdadeiro presente natalino para a colonização portuguesa do nosso país .
Passado este período de turbulência, a capitania se desenvolveu. Tornou-se rica aproveitando seus recursos naturais, as pastagens e o gado, o sal, suas frutas tropicais, seus peixes e crustáceos das lagoas de água doce e do mar sempre generoso e enfeitado pelas velas enfunadas e a valentia das primitivas jangadas. 
A gente potiguar que resulta dessa história costuma expressar sua natureza gentil e prazerosa em festas, no folclore e na música. E quem tiver qualquer dúvida, que consulte Luís da Câmara Cascudo, uma das maiores expressões da intelectualidade norte-riograndense. Foi ele que pesquisou e registrou com excelência, toda a riqueza da cultura popular desta terra. O boi Calemba, o Fandango e a Chegança, os Caboclinhos, o Pastoril , os Congos e o Bambelô, assim como as belas apresentações do grupo Araruna. Morto Cascudo, essas manifestações encontraram no professor Deífilo Gurgel um sucessor à altura, tanto pela dedicação como pelo seu interesse na cultura ímpar do povo desta terra. 
O avião aterrissou. Salve! O aeroporto é ainda pequeno mas moderno e confortável, Na pista, aeronaves vindas de toda parte do Brasil e também da Europa. Turismo internacional emergente. O caminho até à cidade é feito por avenidas largas e bem sinalizadas. Logo à saída do aeroporto, deparo-me com uma placa: Base Aérea do Natal. Num delírio, sinto-me transportar para o ano de 1943. O automóvel que me veio buscar, transforma-se num jipe militar que percorre a maior base aérea dos aliados fora do território norte americano, a Parnamirim Field. Na minha frente, perfilam-se enormes fortalezas voadoras, hangares, armamentos e suprimentos para as tropas que vão combater na África e na Europa. A proximidade de Natal com a costa africana possibilitou realizar esta fantástica ponte aérea que mudou os destinos da IIª Guerra, do mundo e também a história da cidade. 
Assim como os franceses e os holandeses dos tempos coloniais, este enorme contingente de militares e pessoal americano trouxe hábitos e costumes, deixando aqui, algumas marcas características.
O cartaz anunciando os bailes para os sub-oficiais e praças grafando FOR ALL (para todos) - e o brasileiro pronunciando Forró - hipotética ou fantasiosa origem da denominação para o que veio a ser a mais típica forma de diversão e da música nordestina é um bom exemplo disto. Sem falar no intercambio musical inspirado nos acordes de Tommy Dorsey e das bandas americanas que se apresentaram no cassino da base de Parnamirim. Diz-se até, como lembra o jornalista e crítico musical Roberto M. Moura, que numa noite memorável Tommy Dorsey e Severino Araújo competiam nos improvisos e desceram do palco, com seus instrumentos, continuando a tocar, andando pela rua, seguidos pela platéia extasiada.
Com emoção ou sem emoção? Assim me saudou o piloto do buggie que me levou para passear nas praias do litoral norte. Não entendi bem a frase mas, como sempre gostei de emoções e novidades, respondi afirmativamente. Cruzamos o rio Potengi, seguimos pela praia da Redinha e daí até as dunas de Genipabu. A partir daí, fiquei sabendo o que queria dizer "com emoção". Correndo, subindo e descendo por dunas fantásticas num ritmo frenético, pude ter a verdadeira noção das diabruras de que era capaz aquele pequeno veículo. E tudo cercado por um dos mais lindos lugares do mundo. O que se seguiu também teve muita emoção.
Vôo em para-pente rebocado pelo buggie, ski-bunda deslizando em uma pequena prancha duna abaixo até o mar. Banho em praias e lagoas de água doce, com peixinhos rodeando a gente. Pitangui com a sua "menor cachoeira do mundo", ultra-leve, cabo aéreo, um deslumbramento constante neste que é o melhor dos parques de diversões aquáticas, porque todo construído pela natureza. Uma festa, inesquecível para os olhos e para todos os sentidos. Inigualável combinação de beleza e excitamento que faz qualquer visitante exaltar a vida e o prazer de viver. 
Ao voltar à cidade, a tranqüilidade e o conforto do hotel. Um intermezzo relaxante para o passeio do dia seguinte, pelo litoral sul. Ponta Negra, com suas rendeiras de bilro e o morro do Careca. Barreira do Inferno, incrível falésia de arenito avermelhado, base de lançamento de foguetes. Pirangi, com seu gigantesco e inacreditável cajueiro, a indescritível sensação de penetrar em sua sombra gigantesca, onde a natureza nos acolhe e alimenta. Tom, o menino-guia, nos surpreendia com sua inteligência e perspicácia. Sua descrição deste fenômeno botânico e das outras maravilhas locais nos tocava por seu entusiasmo e sinceridade. 
Seguindo a costa para o sul, uma infindável sucessão de praias e localidades, cada qual mais peculiar. De embriagar de tanta beleza. 
Passados quatrocentos anos da sua fundação, Natal mostra cada vez mais porque tantos estrangeiros a quiseram no passado. Porque tantos são cada vez mais atraídos na sua direção, ainda mais nesses tempos de preocupação com a ecologia, com novas soluções urbanas. Não bastasse a beleza, Natal ainda guarda uma riqueza única: possui o ar mais puro do planeta. 
O passeio pelo litoral sul foi mais calmo e a natureza mais tranqüila. Por isto, depois de relaxar um pouco, aceitei o convite para jantar e conhecer a Via Costeira. Lá, localizam-se inúmeros hotéis 5 estrelas, bares e restaurantes dos mais variados . 
Outra festa! A comida deliciosa. Peixes, lagostas e crustáceos em profusão. Um ambiente exuberante e, para completar, a música nordestina em toda a sua variedade, levando-me a imaginar a alegria esfuziante do carnaval ou, melhor dizendo, do Carnatal. Um festival fantástico, carnaval fora de época que os natalenses realizam tão bem nas primeiras semanas de dezembro e que traduz a alegria e a hospitalidade daquela gente. Não é por acaso que se chama Natal de Cidade do Sol, Cidade Sorriso, Cidade do Carnatal. 
E foi imaginando o Carnatal, com toda esta emoção, que percebi que poderia unir estes sentimentos de alegria e entusiasmo aos mesmos que sentimos aqui no nosso carnaval do Rio de Janeiro. 
Assim me despedi ,mas já sabendo que logo voltaria... 
Hoje, já não mais sonhando, vejo o meu querido Salgueiro feliz em cantar todas essas maravilhas para o Brasil e para o mundo inteiro. Tenho certeza que o sucesso dessa cidade vai nos inspirar. O que queremos é ser os Campeões no Quarto Centenário do Natal.
Com Emoção, com muita Emoção!!!
Luiz Fernando Abreu







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