Estácio de Sá 1992






PAULICEIA DESVAIRADA, 70 ANOS DE MODERNISMO NO BRASIL

samba de enredo

Eu vi o arco-íris clarear
O céu da minha fantasia
No brilho da Estácio a desfilar
A brisa espalha no ar
Um buquê de poesia
Na Paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção
Quero a arte pro meu povo
Ser feliz de novo
E flutuar nas asas da ilusão

Me dê, me dá, me dá, me dê
Onde você for, eu vou com você

Lá vem o trem do caipira
Prum dia novo encontrar
Pela terra, corta o mar
Na passarela a girar
Músicos, atores, escultores
Pintores, poetas e compositores
Expoentes de um grande país
Mostraram ao mundo o perfil do brasileiro
Malandro, bonito, sagaz e maneiro
Que canta e dança, pinta e borda e é feliz
E assim transformaram os conceitos sociais
E resgataram pra nossa cultura
A beleza do folclore
E a riqueza do barroco nacional

Modernismo, movimento cultural
No país da Tropicália
Tudo acaba em carnaval







sinopse do enredo

A Estácio de Sá leva para a avenida a transformação causada pelo modernismo no Brasil. Este foi, sem dúvida, o maior movimento que já aconteceu entre nós. No princípio do século, a cultura brasileira estava estagnada. Se começou com a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, em São Paulo, até hoje é impossível dizer se já terminou. O Modernismo descobriu um outro Brasil e seu passado artístico. O barroco mineiro até então era desconsiderado. Os modernistas descobriram o nordeste, a Amazônia, o sul, resgataram a modinha tradicional, valorizou o chamado estilo Império (século XIX). Cultuaram o folclore e voltaram-se para as raízes da nacionalidade. Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Villa-Lobos mostraram a todos um novo pais.
A escola vai contar durante o seu desfile a história deste movimento. Durante as noites de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, o público reunido no Teatro Municipal de São Paulo, escutou música de Villa-Lobos, poemas de Manuel Bandeira e textos de vários escritores, como Menotti Del Picchia, Mário de Andrade e Plínio Salgado. No saguão do teatro, quadros de Anita Malfati e Di Cavalcanti, entre outros, e esculturas de Brecheret.
A semana foi um escândalo. Foi aberta com uma conferência do escritor Graça Aranha, já consagrado, e por isso ouvido em silêncio.
Na mesma época, a política adquire uma conotação ideológica. Surge o Movimento dos Tenentes.
E a idéia básica deste enredo é prestar uma homenagem aos 70 anos de Modernismo no Brasil, através de fantasias e alegorias inspiradas na estética do movimento. Será um enredo fundamentalmente visual.
Nos 80 minutos do desfile, a escola tentará transmitir ao público toda a explosão criativa contida nos textos e poemas de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Graça Aranha, Manuel Bandeira, Ronald de Carvalho, Menotti Del Picchia e Guilherme de Almeida A nova linguagem cinematográfica de Humberto Mauro, o universo mágico-musical de VilIa-Lobos e o Modernismo ousado dos artistas plásticos Di Cavalcanti, Anita Malfati, Victor Brecheret, Lasar Segal e Tarsila do Amaral. Também serão mostradas a revolução político-social, simbolizada pelo episódio dos 18 do Forte, e a influência do Modernismo na época atual, através do Tropicalismo.




















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